Historia

Adaúfe

A Freguesia de Adaúfe localiza-se a Norte da Cidade de Braga, a 4 km de distância. É confrontada a Norte com o rio Cavado, que delimita e divide o Concelho de Braga com o de Amares; a Sul, com as freguesias de Gualtar e S.Victor; a Oeste com Palmeira e S. Vicente; a Este com Santa Lucrécia, Navarra e Este S. Pedro.
Adaúfe tem 10.16km2 de área com 3711 habitantes (INE 2011) e 1620 fogos. A rua da calçada romana foi recentemente classificada pelo I.P.P.A.R.*  Património Nacional. Adaúfe e servida por três vias de comunicação, sendo a principal a E.R. 205-4 que atravessa a freguesia.


História

O seu povoamento remonta à época pré-romana. No Monte dos Vasconcelos, em Eiras, surgiram vestígios de um povoado da Idade do Bronze, datável de finais do 2.º milénio a. C.. As estruturas descobertas parecem corresponder aos alicerces e derrubes de um muro que rodearia a plataforma.

A Quinta do Avelar era uma «villa» Romana, na qual foram detectados vestígios de muros, um possível aqueduto, celeiros de barro, colunas e uma lápide. Foram ainda recolhidos fragmentos de cerâmica comum, nomeadamente de ânfora, dolium e terra sigillata hispânica, e de cerâmica de construção, nomeadamente tegulae.

A via medieval de Pedroso 2, da qual resta um caminho de terra batida, representa para alguns autores o traçado de via romana entre Braga e Chaves. Nesse local, existiu também um povoado da Idade do Ferro. A instituição paroquial de Adaúfe é muito antiga. No século XI, já se contavam quatro igrejas na sua área. Recebeu carta de foral em 1258, passada por D. Afonso III quando estava em Coimbra. Entre os séculos XVI e XIX, Adaúfe teve um grande senhorio, que se dedicou a uma exploração agrícola intensiva. De resto, a agricultura teve sempre fortes tradições na freguesia.

A sua ordenação heráldica, publicada em 25 de Fevereiro de 1997, é a seguinte: «Armas – Escudo de azul, cinco flores-de-lis de prata postas em cruz. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas: “ ADAÚFE – BRAGA».


Mosteiro Medieval de Adaúfe

Como noutras localidades – Tibães, Bouro, Rendufe, Vilar de Frades – também em Adaúfe, o mosteiro foi a instituição com mais prestígio mas hoje perdeu-se a memória dessa evolução, talvez porque estejamos perante um mosteiro que não conseguiu adaptar-se à transição dos tempos medievais para a época moderna. Deve ter desaparecido com as violentas crises do século XV, mas não se sabe porque se extinguiu.

Sabendo que Adaúfe era uma Villa entendida como unidade rural, fortalecida por volta do século IX com um repovoamento feito pelo bispo Ataulfo, mais tarde passou para as mãos de Mumadona. As únicas informações foram-nos transmitidas por Frei Leão de S. Tomás, para quem o Mosteiro de Adaúfe foi fundado em “ mil e setenta e tantos”.

Com base nos epitáfios sepulcrais, o mosteiro de Adaúfe terá sido fundado por “ dois ilustres casados”, Dom Nuno Odoris e sua mulher dona Adosinda Viscoy ou Giscoy, falecidos entre 1078 e 1085, respectivamente.

A doação de um tal Gonçalo Tauronis, de Moure, Póvoa de Lanhoso, à Sé de Braga, confirma a existência de um notário no Mosteiro de Adaúfe, o que lhe confere bastante prestígio, embora toda a documentação se tenha perdido.

Na linhagem de Adosinda encontramos o nome dos Sousãos e na linha destes a virtuosa abadessa do Mosteiro de Basto, Santa Senhorinha, falecida em 1 de Março de 977.

Entre o século XI e XIII pouco se sabe da vida deste Mosteiro de Adaúfe, mas as inquirições de D. Afonso II demonstram que o Mosteiro possuía searas e um total de 66 casais e pagava a voz e coima à Sé de Braga. O crescimento deste mosteiro faz com que, em 1220, possuísse direitos de propriedade em 22 freguesias, e em 1551 os seus interesses estendiam-se a 61 freguesias. A seguir a Tibães, o mosteiro de Adaúfe era o mais importante, seguido a grande distância pelo de Gualtar e Lomar.

Segue-se mais um século em que praticamente nada se sabe sobre o mosteiro de Adaúfe, com fomes e guerras independentistas que se prolongam pelos séculos XIV e XV.

Por volta de 1425, o Mosteiro de Adaúfe entrava numa fase de degradação, ao ponto do Arcebispo D. Fernando da Guerra pensar em aproveitar o imóvel para o transformar numa nova congregação, sob a designação de Lóios que acabou por ficar no antigo convento de Vilar de Frades, em Barcelos.

Até 1542, data da sua extinção, ainda se mantinham aí alguns monges e servia de casa de visitas frequentes do arcebispo que o reduziu a Igreja secular no dia 2 de Agosto de 1452.

A degradação comprova-se pela necessidade do arcebispo ter de fazer obras no Convento onde o arcebispo construiu uma nova residência para si, forçando alguns agricultores de Adaúfe a carregar materiais para as obras. Este trabalho forçado deu origem a uma queixa apresentada ao rei contra o arcebispo, em Setembro de 1439.

D. Fernando da Guerra morre em 26 de Setembro de 1467 e não sabe o que aconteceu ao Mosteiro convertido em Igreja secular. A Abadia de Adaúfe pertenceu mais tarde à ordem de Cristo e o seu património distribuído por vários senhores e delapidado.

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Paulo Pereira